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Educação sem violência

Educação sem violência

A semana tinha sido difícil e eu tava exausta. No banho, enquanto eu deixava a água escorrer pelo meu corpo, Clarisse brincava no chão despreocupada. Meu corpo tava pesado, eu sentia que tava com a frustração e o cansaço acumulados. 


Saímos do banho.
Eu pedi à Clarisse que colaborasse. Expliquei que tava cansada. A peguei no colo, coloquei na cama e ela foi querendo andar ainda molhada. A segurei e fui dura. "Já não pedi para ficar quieta aqui?" 

Ao mesmo tempo, briguei com Gabi que tava na sala. Falei palavras duras, que me doeram. Eu tava claramente descontando toda minha raiva e frustação nas meninas. 

Percebi que tinha me excedido. Pedi desculpas à Clarisse.

 "Desculpe. Mamãe tá com raiva e nervosa" 
Ela olhou pra mim e respondeu com calma. "Vc tá brigando comigo pq vc tá com raiva e a gente deve se acalmar quando tá nervosa. Não brigar com as pessoas"

Concordei com ela, disse que ela tinha razão. 

Fui falar com Gabi. Tava mal. Ela começou a chorar. Disse que eu tinha sido dura e injusta. Que as minhas palavras estavam machucando ela. 
Me desmanchei. 

Ajoelhei, a abracei, disse que errei, que tava nervosa, que tava descontando nelas, que fiz tudo ao contrário do que acredito, pedi desculpas, disse que a amava muito. Ela chorou mais um pouco, disse que me entendia e me perdoava.  Que me amava muito tb. A agradeci por ser minha filha, disse que ela era muito especial, que amava ser sua mãe e que ficava feliz dela poder falar comigo o que sente. Enfatizei que errei, que não devemos descontar nos outros nossas frustrações. Me mostrei humana e vulnerável, como somos. 
Nos abraçamos, ela ficou bem, enxugou as lágrimas e eu voltei pro quarto para colocar Clarisse para dormir. 

Ela me abraçou forte, pedi desculpas mais uma vez. Falei o quanto amava ser sua mãe, que eu tinha errado. 

Não vamos conseguir fazer sempre como acreditamos, a gente vai errar. E, faz parte. Mostrar que tb erramos abre espaço para nossos filhos falharem sem medo. Pedir desculpas nos coloca em pé de igualdade e ensina tb sobre reparação. 
Os encoraja no processo e nos dá liberdade de sermos quem somos.

Meu modus operandi é gentil com as meninas. Elas notam quando saio do prumo. Elas percebem que esse não é o normal e me chamam a atenção. Se magoam e eu acho isso incrível. 

Pq eu quero que elas saibam que faz parte errar, que o grito ou a bronca podem escapar, mas tb quero que elas não aceitem qualquer coisa. Que elas tenham a certeza de que precisam e merecem ser respeitadas e bem tratadas pq sempre foi assim aqui em casa.

Que elas nunca aceitem relações que as desvalorizem ou que não faça bem pra elas.

Pq é em casa, nessas relações, que as crianças aprendem como se relacionar com o mundo. E, se elas tiverem amor, respeito e acolhimento como exemplo e tratamento não vão aceitar nada menos que isso.

Ainda bem! 

Vamos juntxs? 🧡

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