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Ser feliz vivenciando a infelicidade na maternidade atípica.

Ser feliz vivenciando a infelicidade na maternidade atípica.


Do ponto de vista social as pessoas tristes e melancólicas não produzem.
Existe um certo desconforto quando pensamos em pessoas prostradas e entristecidas. Elas são um fardo, algo depressivo demais (o que é uma visão completamente errada por que pessoas feridas, tristes e melancólicas também produzem, também executam suas tarefas diariamente e diretamente continuam agregando nossa ‘’feliz’’ sociedade).


Converso com inúmeras mães atípicas que compartilham comigo suas tristezas e junto a elas uma enorme culpa por estar triste. Culpa por "não ser forte o bastante" para seguir seus dias fingindo uma felicidade inexistente.


Acolher sua infelicidade é um processo de amadurecimento que te trará uma saúde mental no mínimo razoável. Ninguém é feliz o tempo topo.
Absolutamente ninguém.


E nós, mães atípicas, lidando constantemente com um lado tão obscuro do ser humano, que é o preconceito, lidando com dificuldades inimagináveis por muitos, não seria diferente. Então aceite!
Você não será feliz o tempo todo. E tá tudo bem!


Tentar viver dessa forma, sendo uma mãe atípica com um belo sorriso no rosto, como uma princesa de conto de fadas cantando com passarinhos na floresta encanta, que não sente e sofre, seria no mínimo uma imbecilidade.
Incorpore a ideia de que a felicidade não é incondicional.
Há condições para que sejamos felizes.


Queremos suprir necessidades básicas dos nossos filhos, brigamos para que as escolas os matriculem, buscamos empatia em situações rotineiras como uma ida ao shopping ou à uma festa de aniversário (se é que o convite chegará para nós). Existem inúmeras condições que facilitariam essa tal felicidade. Mas elas não estão exclusivamente sob nosso comando, não são simples e demandam muita luta.


Então se acostume com a ideia de não ser feliz todos os dias.
Não tenha vergonha de ser uma mãe que sente.
Não esconda todas essas lágrimas.
Elas fazem parte de um processo e de um rico, longo e finito
amadurecimento chamado vida.


Texto: Cynthia Mel
@autismo.maternidade

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